- Reside em: Rio de Janeiro, Brasil
- Aprendeu com: Mestre Jurandir, Mestre Angolinha
- Estilo de Capoeira: Angola
Biografia:
Mestre Manoel é uma das figuras-chave na preservação e revitalização da Capoeira Angola no Rio de Janeiro. Com mais de cinco décadas dedicadas à arte, tornou-se uma referência no ativismo cultural e no trabalho comunitário, liderando projetos que defendem as raízes afro-brasileiras, a filosofia e o conhecimento ancestral da capoeira.
Início e Introdução à Capoeira
Mestre Manoel começou a praticar capoeira em 1970, sob a orientação de Mestre Barbosa. Naquela época, a capoeira estava se espalhando rapidamente no Rio de Janeiro, e Manoel rapidamente emergiu como um praticante dedicado e disciplinado.
No início dos anos 80, conheceu a Capoeira Angola através do Mestre Jurandir, membro do GCAP-RJ. Este encontro transformou o rumo da sua vida. Através de Jurandir, Manoel foi apresentado aos fundamentos culturais, históricos e filosóficos mais profundos de Angola, inspirando-o a se tornar um defensor ativo das tradições ancestrais.
Quando Mestre Jurandir se mudou para Belo Horizonte no final da década de 1980, Manoel continuou seu treinamento de Angola com Mestre Angolinha, mantendo seu compromisso com a preservação da linhagem clássica de Angola.
Liderança e influência no Rio de Janeiro
Ao longo da década de 1990, Mestre Manoel tornou-se uma das principais figuras do GCAP-RJ e uma das mais fortes referências da Roda Livre de Caxias. Sua presença ajudou a formar uma geração de praticantes na região metropolitana do Rio.
No início dos anos 90, ajudou também a fundar a tradicional Roda de Capoeira Angola da Cinelândia, uma das mais importantes rodas públicas da história do Rio de Janeiro.
A roda continua até hoje como símbolo de resistência, memória cultural e pulsação viva da Angola na cidade.
Fundação do Grupo Ypiranga de Pastinha
Em 1998, junto com seus alunos-incluindo muitos que mais tarde se tornariam mestres, como a Mestra Cristina-MestreManoel fundou o Grupo de Capoeira Angola Ypiranga de Pastinha (GCAYP).
A missão do grupo está fundamentada em três pilares:
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Prática física e domínio técnico
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Educação histórica e cultural
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Valorização e afirmação das raízes afro-brasileiras
O objetivo é formar "multiplicadores" - alunos capazes de usar a capoeira não apenas como movimento, mas como ferramenta de conscientização cultural, reflexão social e transformação comunitária.
Trabalho Comunitário e Presença Internacional
Mestre Manoel tem levado a Capoeira Angola para diferentes partes do mundo, ensinando e apresentando a arte em festivais internacionais e eventos culturais.
Ao mesmo tempo, manteve-se profundamente ligado às comunidades do Rio de Janeiro, especialmente ao Complexo da Maré, onde desenvolve importantes projetos sociais. Através da capoeira, cria espaços de:
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empoderamento da juventude
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orgulho cultural
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formação de identidade
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e acesso ao conhecimento afro-diaspórico
O trabalho do GCAYP reflete um forte caráter pedagógico e sócio-político, incorporando discussões sobre história afro-brasileira, racismo, resistência e o papel da arte na transformação social.
Filosofia e Pedagogia
O estilo praticado pelo GCAYP segue a linhagem de Mestre Pastinha, enfatizando:
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a ligação entre o jogo e a dança
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movimentos defensivos
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a ginga como base da expressão
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flexibilidade, agilidade e controlo corporal profundo
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música, ritual e simbolismo ancestral
Os alunos são encorajados a desenvolver a sua própria expressão corporal individual, respeitando a tradição e encontrando a sua voz pessoal na roda.
Para Mestre Manoel, a capoeira não é apenas uma arte marcial - é uma forma de educação, resistência e construção de comunidade.
Legado
Com mais de 50 anos dedicados à capoeira, Mestre Manoel é
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um guardião dos valores ancestrais da Capoeira Angola
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líder cultural no Rio de Janeiro
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educador comprometido com a história afro-brasileira
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fundador de um dos mais respeitados grupos de Angola da cidade
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e uma inspiração para gerações de mestres e praticantes no Brasil e no exterior
Seu trabalho continua a honrar os ensinamentos de Pastinha e a luta da diáspora africana, mantendo a Capoeira Angola viva como uma arte de memória, identidade e transformação.