Biografia:

Minha história com a capoeira começou em 1977, no Morro dos Cabritos e nas ruas do Rio de Janeiro. Eu tinha oito anos. Naquela época, as rodas de rua eram verdadeiras exibições de agilidade e violência, onde tudo podia acontecer. Eu era criança e já amava a capoeira com seus perigos e mistérios, talvez por ser descendente de escravos, como muitos brasileiros.

Eu via a capoeira como um jogo para crianças de rua, uma travessura, uma forma de escapar da favela e chegar ao asfalto da Cidade Maravilhosa. O Mestre Lua e seus discípulos, Sérgio Leiteiro, Bebeto Mansueto, João Batista dos Santos, entre outros, tiveram um papel fundamental na minha iniciação. Ao lado desses verdadeiros mestres da arte do jogo, da música e do canto, aventurei-me nas rodas e apresentações organizadas pelo Mestre Lua nas ruas e mercados do Rio de Janeiro. Sem nem perceber, tornei-me capoeirista, e todas as minhas atividades passaram a estar ligadas, direta ou indiretamente, à arte da capoeira.

Foi assim que cresci, entre a favela e o asfalto da cidade grande, entre o samba e a capoeira, cujas figuras míticas me encantam e continuam sendo objeto de minha pesquisa até hoje. Os anos se passaram sem que eu me afastasse muito desse mundo mágico da capoeira. Foi então que tive o prazer de conhecer Marrom (1992). Estudar as raízes da capoeira e suas tradições era um objetivo bem definido em minha mente, e Marrom direcionou seu próprio trabalho para esse fim, pesquisando e promovendo a história dos mestres de capoeira em todo o Brasil.

Em 1998, tive a alegria de fundar a primeira filial europeia da escola de capoeira “Angola Marrom Capoeira e Alunos” (NGOMA), com sede em Paris, que mais tarde se tornou a Escola de Capoeira Angola de Paris (ECAP). Hoje, a ECAP cultiva, por meio da capoeira tradicional, toda a riqueza da cultura popular afro-brasileira.